mapa das vagas entry-level em tech no brasil: o que os dados do eu.dev.br mostram
Vaga entry-level em tech no Brasil não é uma categoria limpa.
No mesmo balde aparecem estágio, jovem aprendiz, junior real, suporte N1, analista de dados júnior, dev júnior, vaga afirmativa, programa de trainee, banco de talentos, posição remota para LATAM e vaga que só parece de entrada porque alguém marcou errado no sistema.
Por isso conselho genérico costuma falhar. “Aplique para vaga junior” parece simples, mas a pessoa abre LinkedIn, Gupy e portais de empresa e encontra centenas de anúncios com nomes diferentes, senioridade confusa e requisitos que misturam SQL, Python, Power BI, Java, AWS, Excel, suporte, IA e inglês.
Este mapa usa o próprio índice do eu.dev.br como amostra viva. No recorte atual, o site tem 2369 vagas abertas, das quais 767 aparecem como entry-level ou sem experiência prévia exigida. Dentro desse grupo, 344 são remotas, 542 citam Brasil na localização e 167 combinam entrada + remoto + Brasil.
Não é censo oficial do mercado. É um retrato operacional: o tipo de vaga que uma pessoa procurando primeiro emprego, estágio ou junior encontra quando filtra uma base real de oportunidades tech.
Se você ainda está organizando a busca, abra também onde achar vagas tech entry-level remotas no Brasil, rotina semanal de fontes para vaga junior e planilha de candidaturas para junior. Este texto ajuda a decidir onde concentrar energia.
o que conta como entry-level aqui
No eu.dev.br, uma vaga pode entrar no grupo de entrada por dois sinais principais:
- senioridade marcada como
Entry Level; - senioridade marcada como
No Prior Experience Required.
Isso inclui vaga júnior, estágio, aprendiz, trainee, assistente, analista I, suporte N1 e algumas posições internacionais de entrada. Também inclui ruído. Uma vaga pode estar classificada como entrada e ainda pedir autonomia demais. Outra pode não dizer “júnior” no título, mas aceitar pessoa em começo de carreira.
Esse é o ponto: o mercado não usa uma única palavra.
Quem só busca por “dev junior” perde vagas de:
- estágio em desenvolvimento;
- analista de dados júnior;
- suporte técnico N1;
- QA júnior;
- cloud analyst jr;
- apprentice, intern e associate;
- programas afirmativos para PcD, mulheres ou grupos sub-representados;
- funções de BI, produto, operações e automação com stack técnica.
Ao mesmo tempo, quem aplica em tudo que diz entry-level desperdiça energia com vaga que não combina com seu momento.
a primeira leitura: remoto existe, mas híbrido ainda pesa
Na amostra atual, existem 344 vagas entry-level remotas e 423 híbridas.
Isso dá duas lições.
A primeira: remoto para entrada existe. Não é lenda. Há vagas remotas para suporte, dados, desenvolvimento, QA, IA, analytics, conteúdo técnico, customer support e automação. Se alguém diz que “não existe remoto para junior”, está simplificando demais.
A segunda: o híbrido ainda é grande no começo de carreira. Empresas brasileiras usam estágio, aprendiz e junior como pipeline local. Muitas querem pessoa em São Paulo, Campinas, São Leopoldo, Curitiba, Recife, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Blumenau, Hortolândia ou outras praças onde já têm escritório.
Para a pessoa candidata, a decisão prática é:
- se você precisa de remoto, aceite que o funil será mais competitivo e mais misturado com LATAM/global;
- se você pode ir ao híbrido em uma praça forte, use isso como vantagem;
- se você mora fora dos grandes polos, procure remoto Brasil, programas nacionais e empresas que explicitam contratação distribuída.
Comece pelos filtros vivos de /vagas/ e depois refine com como filtrar vaga remota junior. O objetivo não é escolher uma fonte só. É reduzir ruído.
as empresas que mais aparecem no recorte
No recorte entry-level atual, as empresas com mais vagas são:
| empresa | vagas entry-level na amostra |
|---|---|
| Experian | 27 |
| SONDA | 27 |
| Bradesco | 27 |
| Toloka | 18 |
| Welocalize | 17 |
| SAP | 15 |
| Accenture | 14 |
| Bosch | 12 |
| IBM | 11 |
| Inetum | 11 |
| Sezzle | 10 |
| Arcadis | 9 |
Essa tabela muda conforme o índice de vagas é atualizado. Mas o padrão importa mais que o número exato.
Empresas grandes e recorrentes tendem a aparecer por três motivos:
- têm volume real de contratação;
- publicam vagas em sistemas estruturados;
- repetem funções parecidas por cidade, área, afirmativa ou unidade.
Para candidato junior, isso é útil. Em vez de depender só de uma busca genérica, você pode criar uma lista de empresas recorrentes e acompanhar as páginas delas. Se Experian, SONDA, Bradesco, SAP, IBM, Bosch, Accenture, Capgemini ou empresas parecidas aparecem com frequência, vale ter alerta por empresa e não só por cargo.
Mas cuidado: empresa que aparece muito não é automaticamente melhor. Volume pode significar crescimento, reposição, terceirização, banco de talentos ou muitas vagas de suporte. Antes de aplicar com cuidado, use o roteiro de pesquisar empresa antes de aplicar.
stacks e ferramentas: SQL e Python aparecem antes de hype
As ferramentas mais citadas nas vagas entry-level da amostra são:
| ferramenta | menções |
|---|---|
| SQL | 143 |
| Python | 138 |
| Power BI | 78 |
| Excel | 74 |
| AWS | 73 |
| Git | 65 |
| Java | 53 |
| Docker | 39 |
| Kubernetes | 38 |
| PostgreSQL | 38 |
| JavaScript | 37 |
| Microsoft Office | 37 |
| Azure | 32 |
| MySQL | 31 |
| Microsoft Excel | 29 |
O sinal mais forte é simples: SQL, Python, Power BI, Excel, AWS, Git e Java aparecem muito.
Isso não quer dizer que todo junior precisa estudar tudo. Quer dizer que o começo de carreira em tech no Brasil está bem espalhado entre desenvolvimento, dados, suporte, BI, cloud, automação e operações.
Se você ainda está montando base, uma combinação pragmática é:
- lógica + Git + GitHub para mostrar projeto;
- SQL para ler e transformar dados;
- uma linguagem principal, como Python, Java, JavaScript, C# ou Go;
- noções de API, HTTP e JSON;
- alguma prova de entrega: dashboard, automação, CRUD, análise, teste ou deploy simples;
- leitura básica de vaga para não confundir ferramenta desejável com obrigação.
Para quem mira dados, SQL + Python + Power BI aparece com muita força. Para quem mira backend, Java, Python, C#, Go, APIs, Docker e banco relacional aparecem bastante. Para suporte e infraestrutura, Windows, Linux, redes, ServiceNow, cloud e troubleshooting importam mais que framework da moda.
Use isso para escolher projetos. Um portfólio junior não precisa ter dez tecnologias. Precisa mostrar que você consegue pegar um problema pequeno, usar ferramentas comuns e explicar as decisões. O guia de portfólio com 3 projetos certos aprofunda esse caminho.
junior, estágio, suporte, analista: quatro portas diferentes
Quando alguém fala “primeira vaga tech”, geralmente imagina só dev junior. A amostra mostra uma realidade mais ampla.
Há pelo menos quatro portas:
1. estágio e intern
Boa opção para quem ainda está estudando e pode aceitar trilha formal de aprendizado. Aparece muito em empresas grandes, centros de tecnologia e programas estruturados.
Vantagem: costuma ter onboarding, mentoria e expectativa mais realista.
Risco: processo seletivo longo, calendário específico e bolsa menor.
Leia trainee, estágio ou vaga junior e efetivação no estágio tech antes de tratar estágio como plano B.
2. dev junior
É a porta mais desejada por quem estudou programação. Também é uma das mais concorridas.
Aqui entram vagas de Java, C#, Python, Go, React, Angular, backend, fullstack, QA automação e mobile. A disputa é maior porque muita gente procura exatamente essas palavras.
Seu diferencial não é listar framework. É mostrar projeto legível, GitHub organizado, README bom, noção de teste, capacidade de explicar trade-off e candidatura conectada com a vaga.
3. suporte, N1, help desk e cloud operations
Essa porta é subestimada. Para muita gente, suporte técnico, service desk, cloud analyst N1, suporte aplicacional e atendimento técnico podem ser entrada real em tecnologia.
Não é automaticamente caminho para desenvolvimento, mas pode criar repertório de sistema, usuário, incidentes, logs, documentação, SLA, ferramenta corporativa e comunicação.
Se você escolher essa rota, seja intencional: aprenda a documentar problemas, estudar causa raiz, automatizar tarefas pequenas e migrar para uma função mais técnica quando fizer sentido.
4. dados, BI, analytics e automação
A amostra mostra muitas vagas com SQL, Python, Power BI, Excel, dashboards, CRM, marketing analytics, pricing, risco, operações e inteligência de mercado.
Para quem gosta de resolver problema de negócio, essa pode ser uma entrada melhor que disputar “frontend junior” com todo mundo.
O portfólio aqui pode ser bem direto: análise de dados pública, dashboard com perguntas claras, notebook limpo, automação com planilha, extração de API, relatório executivo e explicação do impacto.
como transformar esse mapa em rotina
Não use os dados para entrar em pânico. Use para escolher uma rotina.
Uma rotina simples:
- abrir /vagas/ e filtrar por remoto, híbrido, stack ou empresa;
- salvar 5 a 10 vagas que parecem compatíveis;
- separar por porta: estágio, dev junior, suporte/cloud, dados/BI;
- escolher 1 a 3 candidaturas para fazer com cuidado hoje;
- registrar na planilha de candidaturas;
- revisar semanalmente quais portas estão gerando retorno.
Se uma porta gera zero resposta por semanas, não conclua automaticamente que você é ruim. Pode ser desalinhamento entre currículo, palavras-chave, projeto, cidade, senioridade ou fonte. Ajuste uma variável por vez.
Exemplo: se você aplica só para remoto dev junior React e nunca recebe retorno, teste por duas semanas uma destas mudanças:
- adicionar vagas híbridas na sua cidade ou estado;
- incluir suporte técnico com API/SQL;
- incluir dados/BI com SQL + Power BI;
- melhorar README e projeto principal;
- criar alerta por empresa recorrente;
- reduzir Gupy genérica e priorizar candidatura direta.
sinais de vaga entry-level boa
Uma vaga de entrada boa costuma ter alguns sinais:
- responsabilidades compatíveis com alguém aprendendo;
- stack principal clara;
- processo seletivo proporcional;
- alguma forma de onboarding, mentoria, code review ou suporte;
- salário, bolsa ou contrato minimamente transparente;
- descrição de rotina, não só lista de ferramentas;
- empresa pesquisável;
- canal de aplicação que não exige uma hora antes de mostrar o básico.
Sinal ruim não significa descarte automático. Mas acumular sinais ruins muda a prioridade.
Se a vaga diz junior e pede arquitetura, liderança, disponibilidade total, muitas stacks, inglês avançado obrigatório, teste grande antes de conversa e salário escondido, ela precisa ser tratada com cautela. Use vaga fake junior: como identificar como filtro.
o melhor uso do eu.dev.br
O eu.dev.br não substitui LinkedIn, Gupy, Programathor ou comunidade. Ele ajuda a enxergar o mercado com menos ruído e transformar busca em decisão.
Use assim:
- /vagas/ para ver vagas abertas;
- /empresas-home-office/ para descobrir empresas com vagas remotas abertas agora;
- /vagas/tipo/remoto/ para focar remoto;
- /vagas/nivel/estagio/ para achar estágio;
- /vagas/nivel/junior/ para posições junior;
- /carreira/ para preparar currículo, portfólio, entrevista, salário e rotina.
A vantagem de uma base viva é comparar conselho com vaga real. Se todo mundo recomenda uma stack que quase não aparece no seu recorte, investigue. Se uma ferramenta aparece muito e você sempre pula, talvez valha estudar o básico. Se uma empresa aparece toda semana, crie alerta específico.
conclusão: entry-level é funil, não etiqueta
O erro é procurar a etiqueta perfeita.
“Junior”, “entry-level”, “estágio”, “aprendiz”, “analista I”, “support engineer”, “associate”, “intern” e “trainee” são sinais. Nenhum deles resolve sozinho.
A busca boa cruza três coisas:
- o que a vaga realmente pede;
- o que você consegue provar hoje;
- o caminho que aumenta suas chances sem destruir sua energia.
Os dados atuais do eu.dev.br mostram que existe oportunidade de entrada, inclusive remota. Mas ela está distribuída entre portas diferentes. Quem só procura um título perde mercado. Quem aplica em tudo perde foco.
Use o mapa para montar uma rotina menor, mais inteligente e mais honesta. Depois aplique rápido nas vagas boas, descarte as ruins e aprenda com o retorno.